quinta-feira, setembro 30, 2010

Multicampeão, São Paulo vive outro lado da moeda: pior fase em anos


Sem conquistas em 2010, jogadores como Rogério Ceni e Richarlyson tentam se habituar a momento de questionamento


Richarlyson, treino São PauloRicharlyson admite: 'Não estamos acostumados'
(Foto: Vipcomm)
Para jogadores acostumados a dias de farturas, o período de seca incomoda. O São Paulo colecionou títulos na década: Libertadores, Mundial, três Brasileirões seguidos. Mas veio 2009, e a situação começou a mudar. Pior: veio 2010, e a ausência de vitórias virou crise. O Tricolor, sem Estadual, eliminado precocemente na Libertadores, vai muito mal no Campeonato Brasileiro. Os jogadores, muitos deles habituados a grandes títulos, tentam entender a situação.
Rogério Ceni é a personificação do novo momento. O capitão e ídolo são-paulino precisa parar por alguns segundos para buscar na memória quando foi que o Tricolor viveu uma fase tão negativa.
- São coisas difíceis de explicar. Nos últimos quatro anos, o time chegou à última rodada do campeonato brigando por título. Ganhou três e perdeu um, mas brigou até o final. Nesse ano, as coisas não acontecem da mesma maneira. É difícil explicar. Faz tanto tempo que a situação não é assim, de ficar no meio da tabela, sem chances de título, brigando por coisas menores... É até difícil relembrar quando foi a última vez que aconteceu isso. Talvez tenha sido em 2004, há seis anos. Fazia muito tempo que a gente não passava por essa situação. Mas o futebol é cíclico. Às vezes, monta-se uma grande equipe, ela perdura por anos, e de repente você cai um pouco – disse o goleiro.
Rogério Ceni Libertadores 2005Títulos como a Libertadores de 2005 contrastam com o atual momento do time de Ceni (Foto: Reuters)
Richarlyson é outro exemplo. Figura central do time tricampeão brasileiro entre 2006 e 2008, o meia convive com o outro lado da moeda agora.
- Estamos em uma posição incômoda, brigando por coisas menores. Não estamos acostumados a isso. Eu estou aqui há seis anos, e sempre briguei por títulos, pelo topo da tabela – comentou o atleta.
O meia entende que oscilações são naturais quando um clube se reformula. E pede paciência para que o São Paulo volte a andar nos trilhos.
- É uma reformução. São jogadores novos, é outra postura. A diretoria quis reformular. Quando se troca elenco, alguns jogadores entram e não dão certo, como aconteceu no começo do ano. São coisas que acontecem no futebol. Temos que ter consciência, principalmente os torcedores, de que isso demora. É difícil manter um nível tão bom de atuação como foi nesses quatro anos que passaram. Temos que retomar o mais rápido possível. O São Paulo tem que brigar por título, não onde se encontra nesse momento na tabela – afirmou Richarlyson.
O São Paulo tem duas derrotas seguidas no Brasileirão, para Goiás (3 a 0) e Grêmio (4 a 2). Décimo colocado na competição, com 34 pontos, o Tricolor volta a campo sábado, na Ressacada, contra o Avaí.

quinta-feira, setembro 16, 2010

Miranda admite que eliminação fica na memória, mas pensa no presente


Zagueiro nega clima de vingança e diz que vitória dará moral ao Tricolor



miranda rogerio ceni são paulo desoladosMiranda e Rogério Ceni ficaram desolados no dia da
eliminação (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Outros jogadores do São Paulo já falaram durante a semana que não havia qualquer sentimento de revanche no duelo com o Internacional, nesta quinta-feira, às 21h, no Morumbi, pelo Brasileiro. Mesmo com o forte baque pela eliminação na Libertadores diante do Colorado, nas semifinais, o Tricolor não carrega um sentimento de vingança para este reencontro. Miranda confirma isso, mas admite que não há como não lembrar daquele momento triste para os tricolores na temporada.
- Difícil não pensar, pois foi o adversário que nos venceu e nos tirou o título da Libertadores. Mas é o momento de pensar somente na vitória. Vamos entrar em campo só para isso. Nossa equipe sabe da qualidade do adversário, mas tem condições de vencer no Morumbi - justificou o zagueiro.
Se o trauma da Libertadores não será combustível para o jogo desta quinta, a possibilidade de ganhar moral após um triunfo sobre o time gaúcho é um fator motivador sim. Afinal, não é fácil vencer o quinto colocado da tabela.
- Vencer um clássico contra uma grande equipe dá moral sim. O time cria corpo, fica mais forte para a sequência do campeonato - acrescentou Miranda.

Vulgaridade x Sensualidade

Essa é uma questão muito complicada.
E de extrema importancia paar nós mulheres:
Como sermos sexys sem sermos vulgares?

Quem nunca viu uma pessoa e não comentou:
"Nossa que pessoa mais vulgar"
Ou então:
"Como ela é sensual"
Mesmo sendo um tema abordado no dia-a-dia, ainda existem muitas pessoas confudem muito os conceitos de Vulgaridade e Sensualidade.

Sensualidade é quando alguém se expõe, se mostra de uma maneira que propicia um aumento da libido da outra pessoa ou de outras pessoas. A sensualidade ocorre, geralmente, de um modo natural e também por métodos que a favorece.
A mulher é sensual já por natureza... é algo que nasce com a gente.
Não é preciso seguir os padrões de beleza das revistas masculinas... muito menos dessas Ex-BBBs ou funkeiras do Rj (que pra mim se definem mais como vulgaridade do que com sensualidade.)
A sensualidade está associada também como imaginação:
"Mostre somente o necessário pra causar curiosidade".. aguçar o interesse, mas naturalmente, nada de forçar a situação.
A sensualidade brota de dentro da própria mulher, mesmo as mulheres mais recatadas e mais tímidas muitas vezes são mais sensuais do que uma mulher extrovertida e desinibida.

Já a Vulgaridade é um meio tosco e grosseiro que a pessoa usa a fim de adquirir a sensualidade.
A vulgaridade, geralmente, não é natural e sim, forçada.
É algo que fogem dos principios de beleza e vai pro principio de  exibicionismo...
Roupas curtas demais, ou melhor: ausencia de roupa; mostrar mais o que se deve... 
Forçar a barra em qualquer situação não é nada legal, imagine então tentar passar um imagem falsa de si mesma?

 A mulher para ser sensual não precisa partir para a vulagridade.. existem várias formas de estar bonita, ser notada sem precisar partir para a banalização!
As vezes uma roupa que vista bem, marque as curvas é bem mais sensual do que um micro short!

Nó mulheres, por extinto ja somos sensuais por natureza... é só darmos valor ao que temos de melhor que no fim tudo dá certo!
Afinal, TODA MULHER É PODEROSA...


...Mas nós São Paulinas somos mais...
\o/



São Paulina da foto: Alexandra
"Realmente a beleza da mulher esta em seu sorriso em seus olhos e na feminilidade que expressa sensualidade."
Leandro Germano

quinta-feira, setembro 09, 2010

Entrou e fez a diferença

Após a entrada do garoto Marcelinho, o time parece outro.
A evolução do time é clara.



Iniciou sua carreira no rival, Corinthians, onde não teve espaço, a assim se tranferiu para o São Paulo.


Principais Títulos
2007 - Copa Nike - Juvenil

2007 - Copa Brasil - Japão - Juvenil

2007 - Campeonato Paulista - Juvenil

2008 - Copa do Mediterrâneo - Juvenil

2009 - Dallas Cup - Junior

2010 - Campeão da Copa São Paulo Futebol Júnior

 

terça-feira, setembro 07, 2010

Rogério 20 anos: Entrevista exclusiva com o ídolo

No primeiro dia de homenagens, goleiro responde perguntas feitas pelos funcionários do São Paulo

 
Rogério Ceni tem 37 anos, sendo 20 dedicados ao São Paulo. Neste período, o camisa 1 do Tricolor concedeu diversas entrevistas, coletivas... Perguntas não faltaram ao goleiro. No vigésimo aniversário do capitão no clube, o Site Oficial preparou uma entrevista diferente para Rogério. Funcionários do CT da Barra Funda, que acompanham ainda mais de perto o dia a dia do goleiro, formularam perguntas que foram respondidas por ele.
Profissionais de diferentes áreas do São Paulo participaram da homenagem. Quem nunca teve vontade de fazer uma pergunta a um dos principais ídolos da história do clube? Pois é, na véspera de completar 20 anos de Tricolor, Rogério Ceni encarou esta entrevista inusitada. Como não poderia ser diferente, o são-paulino mostrou o motivo de tanta idolatria no clube.
Em 20 anos de São Paulo, além de títulos e conquistas pessoais, Rogério Ceni construiu uma grande amizade com diversas pessoas no clube. Um ídolo que age como se fosse um garoto de 18 anos que acabou de subir para o profissional. Por estas e outras que cada dia mais ele é querido dentro do Tricolor.
Lembrando que esta entrevista com Rogério Ceni abre uma série de homenagens feitas pelo Site Oficial. Não deixe de conferir o restante da semana. Nesta terça-feira, o responsável por trazer o goleiro ao São Paulo. Até o fim da semana, nossa reportagem ainda irá trazer histórias muito legais e interessantes do nosso goleiro. 

Confira a entrevista com Rogério Ceni:
(Crédito das fotos: Rubens Chiri/www.saopaulofc.net)
Antônio Carlos - Segurança: Ao longo destes 20 anos, você deu muitas alegrias ao torcedor são-paulino. Quando você parar, quais são os seus planos? Virar técnico, diretor, presidente...?
ROGÉRIO:  Ainda está um pouco cedo para pensar nisso, pois tenho mais dois anos de contrato. Não consegui traçar uma meta definitiva, uma coisa fixa. Mas técnico acredito que seja difícil. Presidente é um pequeno espaço de tempo que você está liderando o clube. Espero poder retribuir de alguma maneira todo o carinho que o clube me deu ao longo destas duas décadas. Que isso seja feito de uma maneira que eu me sinta bem e não ocupando um espaço que eu não tenha condições.
Dona Adelzira - Limpeza: Como que você faz para manter depois de tanto tempo a mesma dedicação e profissionalismo aqui no clube? Para mim, você sempre vem treinar como se fosse sua primeira vez.
ROGÉRIO: É uma observação interessante. Ainda tenho muita vontade de treinar. Fazer este caminho da minha casa até o CT. Tenho vontade de jogar, de ganhar... Não me conformo com a derrota. O ambiente de trabalho aqui no São Paulo também facilita. As pessoas me recebem muito bem. Tem gente aqui que eu conheço há 20 anos, desde o meu primeiro treino. A estrutura e as pessoas, independente da função, me deixam bem tranquilo.
Vanderlei - Administração: Rogério, você foi o grande goleiro da história do São Paulo. Mas você pensou um dia em jogar em outra posição? E quando você parar, em qual posição você vai jogar nas peladas de fim de ano com os amigos?
ROGERIO: Depois que comecei a jogar no gol, nunca pensei em outra posição. Antes disso sim. Gostava de jogar na linha, mas meu pai me disse que eu teria de fazer uma escolha. Aí comecei a jogar no gol. Não sei se vou jogar muitas peladas depois que parar. Vou me dedicar mais ao tênis, um esporte individual. Mas se eu for jogar será na linha, jamais no gol (risos).
Almir - Massagista: Esta sua forte identificação com o São Paulo foi determinante para você permanecer por tanto tempo e não querer fazer uma carreira no exterior?
ROGÉRIO: Cada dia aqui no São Paulo foi fortalecendo este elo. Cada dia foi mais apaixonante viver aqui. Sou mais apaixonado por este clube do que era há dez anos. Essa  convivência diária aumenta esta paixão e amor que eu sinto por vestir a camisa do São Paulo.
Cícero - Roupeiro: Depois de 20 anos de conquistas, você olha para o passado e vê qual foi o momento mais difícil nesta caminhada?
ROGÉRIO: A vida trás a cada dia, cada ano, momentos que você encontra muitas dificuldades. Meu começo foi difícil. Saí de casa, aos 17 anos, e fui morar sozinho. Aquela época era diferente. Não tinha dinheiro para fazer nada. Mas isso foi sendo superado. Essa última lesão também foi um momento difícil. Mas nada que ultrapassasse as coisas boas. Dificuldades todo mundo tempo, mas nenhuma foi maior do que as alegrias que eu tive aqui.
Richarlyson - Jogador: Como um jogador com 20 anos de clube acha e busca motivação para conquistar títulos, mesmo sabendo que a carreira está chegando ao fim?
ROGÉRIO: A motivação está dentro de cada um, independente da idade. Isso vai da personalidade da pessoa. Os caras que jogam comigo, a vontade que eles têm em campo. O Richarlyson é um exemplo disso. Isso me deixa motivado. Também quando o torcedor vai ao Morumbi, lota o estádio. Eu tenho este jeito de querer estar sempre vencendo e nunca aceitar a derrota. Colocar os caras que trabalham comigo sempre pra cima. Foi o jeito que eu fui criado.
Alê - Fisioterapeuta: Rogério, qual a sensação de voltar a jogar em alto nível após a série lesão que você teve no tornozelo esquerdo?
ROGÉRIO: Essa é uma das coisas que eu mais dou valor. Quando voltei de lesão, começando a treinar no campo, eu ainda sentia muitas dores. O pessoal do REFFIS me falou que eu iria me sentir melhor após um ano da cirurgia. Que ficaria mais confiante. Fiz de tudo para voltar o mais rápido possível e hoje me sinto muito melhor do que no ano passado. O modo como foi encarado a lesão, o tratamento, minha dedicação, a boa vontade do pessoal aqui do REFFIS... Tudo isso foi fundamental para que eu pudesse voltar a jogar em alto nível.
Haroldo - Preparador de goleiros: Rogério, em quem você se espelhou e ainda se espelha para se manter este profissional dedicado no São Paulo após 20 anos de clube? É algum familiar? Algum ex-jogador?
ROGÉRIO: Cada dia que passa você tem de estar pronto para trabalhar novamente. Cada dia começar do zero. Eu me espelho em muita gente que trabalha aqui dentro. E uma dessas pessoas é o Haroldo. A forma com que ele dá o treinamento, que se sujeita a fazer os trabalhos diferentes comigo. Talvez eu não conseguisse com outro preparador de goleiros. A paciência que ele teve durante todo este tempo. Me espelho nas pessoas vencedoras, que atingiram o ponto alto na carreira. Leio livros de pessoas como o Michael Jordan, Ayrton Senna, Roger Federer. Procuro me informar e ver o que eles fizeram para ficar no topo por tanto tempo.

História de um mito


Rogério Ceni completa 20 anos no clube e lembra dos momentos de glória e tristeza
História de um mito (Reuters)


Um mito debaixo das traves. Uma máquina de conquistar títulos e quebrar recordes. No São Paulo, ninguém tem números tão expressivos quanto Rogério Ceni. Jogador com maior número de partidas disputadas (924), com o maior número de títulos oficiais conquistados (14), maior artilheiro do clube na história da Taça Libertadores da América (11) e recordista de minutos sem tomar gols no Campeonato Brasileiro  (988). Os recordes se estendem para longe do Morumbi, afinal Rogério é o maior goleiro artilheiro do mundo (90 gols), recordista de jogos no Campeonato Brasileiro (403), foi eleito o craque do Nacional de 2007 e se tornou o único a jogador da América do Sul, em toda a história, a ter participado da eleição final da revista France Football para a eleição da Bola de Ouro (melhor jogador do mundo). Terminou na 27ª colocação na temporada 2007.
Nesta terça-feira, o paranaense de Pato Branco, aos 37 anos, marido de Sandra e pai das gêmeas Clara e Beatriz, hoje com cinco anos, escreverá o capítulo mais nobre de sua história como jogador ao completar 20 anos no clube do Morumbi. Ou, como o próprio camisa 1 diz, a sua segunda casa.
rogério Ceni são paulo placaRogério Ceni recebe placa do São Paulo (Foto: Marcelo Prado / Globoesporte.com)
- Eu só tenho a agradecer, principalmente porque o São Paulo é uma extensão da minha vida. Como minha esposa, minhas filhas, tudo que conquistei devo a esse clube. Agradeço ao São Paulo porque todos trabalham para esse clube ser cada vez maior. São 20 anos de muito trabalho, de um trabalho que cada vez me dá mais prazer. Faço tudo aqui com muito carinho, com muito amor – lembrou o jogador, emocionado após receber a placa da diretoria na manhã da última segunda-feira, no salão nobre do estádio do Morumbi.
CONFIRA OS DEZ JOGADORES QUE MAIS TEMPO VESTIRAM A CAMISA DO SÃO PAULO
NOMEPOSIÇÃOTEMPO DE CLUBE
Rogério CeniGoleiro20 anos
TeixeirinhaAtacante16 anos e 7 meses
De SordiZagueiro13 anos e 7 meses
José PoyGoleiro12 anos e 10 meses
Roberto DiasZagueiro12 anos e 3 meses
MauroZagueiro12 anos e 1 mês
KingGoleiro11 anos
SavérioZagueiro11 anos
RemoMeia-atacante10 anos e 11 meses
Waldir PeresGoleiro10 anos e 11 meses











Muita coisa mudou em duas décadas. Menos a paixão entre Ceni e o São Paulo
Em duas décadas, muita coisa mudou. O Brasil ainda não conhecia a internet e nem o telefone celular. O mundo assistia ao confronto entre Iraque e Kuwait que, poucos meses depois, se transformaria na Guerra do Golfo. Ainda existia a União Soviética, que seria dissolvida um ano depois. No esporte, Ayrton Senna brigava pelo bicampeonato mundial contra Alain Prost e a Seleção Brasileira amargava um jejum de 20 anos sem ganhar uma Copa do Mundo. Nesse período, Rogério Ceni seguiu fazendo a mesma coisa e o mesmo trajeto todos os dias.



- É uma coisa engraçada pensar no que mudou em 20 anos. Hoje, estou mais experiente, mais careca (risos). Os anos foram caminhando, e a minha paixão pelo São Paulo só foi aumentando. Hoje, não consigo me imaginar jogando futebol sem ser com a camisa do São Paulo. Meu carro parece que está sempre no automático, vai sozinho para o CT. Vestir essa camisa é algo que dá motivação todos os dias e não tenho dúvida de que isso vai acontecer até o último dia da minha carreira - afirmou.
Nesses 20 anos, Rogério viveu imensas alegrias. Conquistou títulos, contabilizou recordes, chegou à Seleção Brasileira. Mas também teve decepções. Por duas oportunidades, essa história que hoje completa Bodas de Porcelana esteve perto de não acontecer. Por isso, o GLOBOESPORTE.COM montou uma linha do tempo para enumerar os principais fatos da carreira de um dos maiores nomes da história do clube do Morumbi.


Pressão logo no primeiro teste Quinta-feira, 6 de setembro de 1990. Por influência de um conselheiro, Rogério Ceni deixou para trás propostas do Santos, Bragantino e Ferroviária e veio para a capital paulista para fazer um teste no São Paulo. Com 17 anos, a cidade grande já deixou o garoto muito assustado.
- Quando cheguei à cidade, uma das primeiras coisas que eu vi foi o estádio do Morumbi. E era algo de outro mundo, gigante, impressionante. Principalmente porque, três dias depois do teste, foi lá que fui morar por quatro anos. Hoje, como moro perto, passo todo dia em frente e acho a coisa mais normal do mundo – afirmou, rindo.
Voltando ao teste, Rogério Ceni fez aquecimento com o então preparador físico Sérgio Rocha e depois fez alguns trabalhos com o preparador de goleiros dos juniores, Gilberto. No intervalo, veio a oportunidade.
- O Forlán (Pablo, ex-jogador) era o técnico. Foi alguns meses antes do Telê chegar. O Gilberto fez alguns trabalhos específicos. Olhei para o campo onde o time principal treinava e vi o Gilmar de um lado e o Zetti do outro. Tinha eu e o Marcos como opções. Fui superbem, mas me lembro que tomei um golaço do Leonardo, de cavadinha. Ele saiu cara a cara comigo, eu tapei o canto e ele mandou por cima. Mas esse teste nunca vai sair da minha cabeça. Quando cheguei, não sabia o que aconteceria. E, minutos depois, estava num coletivo do time principal. No dia 7, fui ao Morumbi preencher toda a papelada e, dois dias depois, já estava morando no time do Morumbi - lembrou o goleiro.
Sérgio Baresi Rogério Ceni São Paulo 1992Rogério Ceni e Sérgio Baresi foram companheiros 
na Copinha de 1992 (Foto: Gazeta Press)
Rogério não demorou muito e subiu para o time junior. Em 1992, subiu para o time profissional, como terceiro goleiro, já que o reserva imediato de Zetti, Alexandre, havia morrido em um acidente de carro. No ano seguinte, voltou aos juniores para disputar e conquistar a Copa São Paulo daquele ano contra o Corinthians. Curiosamente, naquele time estava o zagueiro Sérgio Baresi, que hoje comanda o time profissional. Quando retornou ao profissional, logo depois, foi oficializado como reserva imediato de Zetti. No mesmo ano, fez sua estreia no time de cima, no troféu Santiago de Compostela, na partida contra o Tenerife, que terminou 4 a 1 para o Tricolor.
Paciência, paciência, paciência
De 1994 a 1996, Rogério teve de aprender a desenvolver a paciência, já que Zetti vivia a melhor fase da sua carreira. Foram 205 longas partidas na reserva. Ele atuou apenas na Copa Conmebol, quando Muricy Ramalho utilizou o time reserva, carinhosamente chamado de “Expressinho.” Até que, em junho de 96, seis meses antes do fim do seu contrato, Ceni recebeu proposta do Goiás para ser titular e ganhar três vezes mais o que recebia no clube do Morumbi.
- Eu respeitava muito o Zetti, mas queria jogar. Fui ao presidente Fernando Casal Del Rey e apresentei a proposta. Ele me disse para ter paciência que, no final do ano, o Zetti ganharia passe livre como uma forma de reconhecer tudo de bom que ele fez para o clube. E que, quando isso acontecesse, eu viraria titular. Nessa conversa, renovei meu contrato por dois anos e tudo que o presidente havia dito, aconteceu.
Nos treinamentos, Rogério crescia cada vez mais de produção e também se destacava com a bola nos pés. Um dia, começou a treinar faltas e, animado com os resultados, resolveu que tentaria se aperfeiçoar. Em determinados treinos, chegava a bater 40, 50 faltas. E o que ele tanto sonhava aconteceu no dia 15 de fevereiro, quando autorizado pelo então técnico Muricy Ramalho, foi ao ataque e, com uma cobrança perfeita, no canto esquerdo do goleiro Adinan, Ceni marcava seu primeiro gol de falta.
Rota de colisão com o presidente em 2001 quase o levou para o Cruzeiro
Em 2001, certamente Rogério Ceni viveu seu momento mais difícil dentro do clube. O então presidente Paulo Amaral acusou o jogador de inventar uma suposta proposta do Arsenal (ING) para ganhar aumento salarial. As duas partes entraram em rota de colisão e o goleiro foi suspenso por 29 dias, quando também não recebeu salários. Até hoje, ele não esconde o incômodo com tudo o que ocorreu.
- Nunca mais tive contato com ele (Paulo Amaral) e nem quero ter. Guardo ressentimento de como ele tratou a questão. Não tinha por que ser assim. Quando o Juvenal assumiu, eu recebi uma proposta da Grécia e levei ao conhecimento do presidente, que preferiu não me vender O outro foi intransigente. Hoje, cada um tem sua importância no clube. Ele representa o clube apenas pelos dois anos em que foi presidente. Se eu pudesse, falava toda a verdade dessa história. Mas é melhor eu ficar quieto – afirmou.
Nessa época, Ceni esteve a um passo de se transferir para o Cruzeiro. Seria trocado por André e o clube mineiro ainda dava uma excelente compensação financeira. O negócio acabou não saindo e, na eleição seguinte, Paulo Amaral foi derrotado por Marcelo Portugal Gouvêa que, em um dos seus primeiros atos, renovou o contrato do camisa 1.
Anos gloriosos
Rogério Ceni Libertadores 2005Ceni na Libertadores de 2005 (Foto: Reuters)
Passada essa turbulência, Ceni então virou o símbolo de uma equipe que, após ter passado anos brigando apenas pelo título estadual, voltou a se destacar no cenário nacional e sul-americano. Em 2003, o time garantiu o direito de voltar a disputar a Libertadores, o que não acontecia desde 1994. Em 2004, apesar da queda na semifinal diante do Once Caldas, a certeza de que o time estava no cominho certo. E isso acabou se comprovando em 2005, com os títulos paulista, da Taça Libertadores e do Campeonato Mundial de Clubes.
Entre 2006 e 2008, o São Paulo foi soberano no Brasil, conquistou o tricampeonato nacional e tornou-se o único time a ter seis títulos brasileiros. Em 2009, Ceni conheceu a pior lesão da sua carreira ao quebrar o tornozelo esquerdo num treinamento. Foram quatro meses de uma longa ausência. Hoje ele celebra o fato de voltar a atuar em alto nível. Em 2010, apesar da seca de títulos da equipe, ele contabilizou mais um recorde para sua carreira: o de maior artilheiro da história do clube na Taça Libertadores da América, com 11 gols.
Todo esse sucesso faz um senhor de 72 anos ir às lágrimas quando fala do filho. Em Sinop, onde mora o seu Eurydes, disse que seu coração está saindo pela boca de tanta alegria pelo sucesso de Rogério Ceni no São Paulo.
- Eu sou suspeito para falar do meu filho. Além de um filho maravilhoso, é um pai maravilhoso, tem um carinho muito grande com as filhas. Como jogador, não há o que dizer, os fatos e recordes dizem por si só. O Kiko (apelido do filho) é um privilegiado. No ano passado, quando ele se machucou e muitos duvidaram da sua recuperação, conversamos e senti muita vontade. Não tinha dúvida de que ele voltaria ainda melhor. E foi o que aconteceu. Vou fazer questão de ligar para ele e falar tudo que tenho vontade. O problema é que sou emotivo, vou chorar. Mas não tem importância. Ele merece tudo que a vida está lhe dando - concluiu o pai, feliz da vida.

Bate bola com o capitão são-paulino
O que falta ainda conquistar no São Paulo?
Difícil dizer. Afinal, tudo que podia viver no São Paulo, eu vivi. Tenho grandes conquistas, tricampeonato brasileiro, sete anos seguidos na Libertadores, coisa que ninguém fez no nosso país. É claro que se dá muito valor a títulos. Mas o São Paulo cresceu demais. O CT de Cotia é algo impressionante. Sexta-feira passada estive no Morumbi, onde vivi por quatro anos e fiquei absolutamente surpreso com tudo que vi. É um progesso muito grande. O São Paulo vem crescendo muito, apesar dos resultados não serem tão bons. Mas eu quero ganhar sempre mais, quero poder disputar uma nova oportunidade e ser tricampeão, coisa que ninguém fez até hoje.
Alguém vai quebrar a sua marca de 20 anos?
Alguém vai alcançar essa marca. Vai surgir alguém, sem dúvida, mas não sei se alguém vai ficar todo esse tempo. Há décadas atrás, era uma coisa natural, normal. Hoje, com a globalização, é tudo mais complicado.
Técnico mais importante em sua carreira no São Paulo?
Todos tiveram sua parcela, mas sem dúvida, gostaria de falar do Telê Santana. Convivi com ele de setembro de 1990 a 1995. Foi quem me lançou no time profissional, que me ensinou muito. Era rígido demais com os jogadores, mas nunca deixou de ser correto com quem realmente trabalhava. Ele era meu parceiro de tênis. Naquela época era diferente. Os solteiros concentravam às 18h e os casados às 22h .Ele pedia para o segurança avisá-lo quando eu chegava, ligava no meu quarto e falava: "Vamos jogar? Como eu iria recusar esse pedido?" (risos).  Lembro de uma vez que ele me chamou a atenção no CT. Eu estava sentado em cima da mesa da telefonista e ele me disse. "Na sua casa você senta em cima da mesa?" Isso mostra que no fundo ele tinha razão. Era um cara fantástico. Tenho uma admiração não só pelos títulos que ele conquistou, mas pelo jeito que ele conquistou. É um nome gravado para sempre na minha memória.
No futuro pretende ser presidente?
Ser presidente não é algo natural. Quero poder ajudar o São Paulo da maneira que eu puder. Não é uma profissão. Se um dia acontecer, a gente vê. A vida prepara surpresas. Tem gente mais preparada que eu para isso .Espero ajudar o São Paulo da melhor maneira possível.
Sérgio Baresi
Ele tem uma personalidade que precisa ser destacada. Com 37 anos, resolveu assumir uma obrigação que muitos recusariam. Eu mesmo não sei se estaria pronto. Ele é um cara muito trabalhador, estivemos juntos no início da carreira e, após um período muito ruim, o time começou a dar sinais de reação. Quem acha que eu interfiro na escalação dele não sabe nada. Ele escala, ele mexe, ele é o treinador. Eu apenas falo o que acho que seja necessário. Errado seria se eu falasse para ele tirar um jogador e botar outro. Isso eu nunca vou fazer.
Vai jogar bem até o final do contrato? Existe a chance de renovar?
Me sinto bem, super em forma. Apesar de algumas falhas, acredito que nas 924 partidas que estive em campo até agora, tenha mantido uma média muito boa. Tenho contrato até dezembro de 2012, a não ser que aconteça alguma lesão grave como em 2009. Hoje estou superbem e te diria que posso jogar até os 50 anos. Lá em 2012, a gente vê o que acontece - disse o jogador.